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CARPEDIEM, 04 de Fevereiro. A Pressa de Ser Alguém Pronto.


Na dependência química, o tempo quase sempre foi imediato.

Quando algo apertava por dentro, a resposta precisava ser .

Alívio, anestesia, esquecimento, tudo sem espera, sem intervalo, sem processo.

O corpo e a mente aprenderam que sentir demais era perigoso, e que correr era mais seguro do que ficar.


Na recuperação, essa pressa não some de um dia para o outro.

Ela muda de forma.

Vira ansiedade para “dar certo logo”, para provar que está bem, para mostrar que a história virou página.

Como se a vida precisasse de um resultado rápido para confirmar que o esforço valeu a pena.


Mas o que foi construído na urgência não se desfaz na mesma velocidade.

Existem partes que precisam de tempo para confiar em uma realidade sem fuga.

Partes que ainda esperam uma solução instantânea para dores que só se transformam sendo atravessadas.

O amadurecimento começa quando a pessoa aceita que não há atalho para dentro.


Habitar o processo, aqui, é aprender a suportar o intervalo.

Entre a vontade e a ação.

Entre o impulso e a escolha.

É nesse espaço que a recuperação deixa de ser corrida e começa a virar caminho.


CarpeDiem:Hoje, eu desacelero a pressa que a dependência me ensinou, porque é no tempo que eu fico que a mudança aprende a permanecer.


Por Luciano Ribeiro Terapeuta Sistêmico e Psicanalítico | Especialista em Dependência Química


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