CARPEDIEM 10 de Junho, A Abstinência Não é Apenas Falta da Droga.
- Luciano Ribeiro
- há 1 hora
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Muita gente acredita que abstinência é apenas vontade de usar.
Mas quem vive o processo sabe que é muito mais profundo do que isso.
A abstinência mexe com o corpo.
Com a mente.
Com as emoções.
Com a forma de perceber a vida.
Na dependência química, durante muito tempo a droga funcionou como reguladora emocional.
Ela desligava ansiedade, acelerava prazer, anestesiava dores ou criava sensação temporária de alívio.
E quando ela sai, tudo aquilo que antes era interrompido começa a aparecer novamente.
O corpo estranha.
A mente fica inquieta.
O vazio aumenta.
As emoções parecem intensas demais.
E é justamente nesse momento que muita gente acredita que não vai suportar.
Mas existe algo importante sobre a abstinência:
ela não é permanente.
O cérebro está tentando reaprender a funcionar sem aquilo que durante muito tempo alterou artificialmente sua forma de sentir e reagir.
Por isso, atravessar a abstinência exige paciência, suporte e principalmente compreensão do que está acontecendo internamente.
Nem todo desconforto significa que você precisa voltar para a droga.Muitas vezes significa apenas que seu corpo e sua mente estão tentando se reorganizar.
E talvez uma das partes mais importantes da recuperação seja justamente essa:
aprender a permanecer no processo sem acreditar que o sofrimento daquele momento será eterno.
Porque passa.Mesmo quando parece impossível naquele instante.
CarpeDiem:Hoje, se a abstinência estiver difícil, lembre-se: o desconforto do processo não é sinal de fracasso muitas vezes é apenas o seu corpo reaprendendo lentamente a viver sem a droga.
Por Luciano Ribeiro Terapeuta Sistêmico e Psicanalítico | Especialista em Dependência Química
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