CARPEDIEM, 14 de Março - A Quebra da Fantasia
- Luciano Ribeiro
- 14 de mar.
- 2 min de leitura
Toda dependência se sustenta em uma fantasia. A droga passa a ser vista como alívio, companhia, coragem ou fuga da dor. Com o tempo, cria-se dentro da mente uma imagem sedutora: a de que ali existe algo que falta na própria vida. Essa fantasia não aparece de forma consciente; ela se constrói silenciosamente, até parecer uma verdade.
Na dependência química, a pessoa não busca apenas a substância, mas aquilo que acredita que ela oferece. Pode ser a sensação de pertencimento, de poder, de anestesia ou de esquecimento. A droga deixa de ser apenas uma substância e passa a ocupar o lugar de solução para os conflitos internos. Enquanto essa crença permanece intacta, a dependência continua encontrando justificativas para existir.
Mas em algum momento a realidade começa a rachar essa fantasia. As perdas aparecem, as relações se desgastam, a vida se estreita. Dentro da pessoa surge um confronto doloroso: aquilo que parecia salvar começa a revelar que também aprisiona. Esse é um dos momentos mais difíceis, porque exige abandonar a ilusão que por tanto tempo serviu como refúgio.
A recuperação começa exatamente nesse ponto. Quando a pessoa reconhece que a promessa da droga era uma mentira, abre-se espaço para reconstruir a vida em bases reais. Não é a droga que oferece força, pertencimento ou paz, essas coisas precisam ser construídas dentro da própria existência. Ao quebrar a fantasia, nasce a possibilidade de escolher a vida de forma consciente.
CARPEDIEM: Hoje, tenha coragem de desmontar a fantasia, porque é quando a ilusão cai que a recuperação realmente começa.
Por Luciano Ribeiro Terapeuta Sistêmico e Psicanalítico | Especialista em Dependência Química
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