CARPEDIEM, 17 de abril. O Prazer Que Isola e a Vida Que Conecta
- Luciano Ribeiro
- 17 de abr.
- 1 min de leitura
Existe algo que precisa ser dito com verdade:a droga oferece uma experiência de prazer intensa.
Rápida.
Visceral.
Direta no corpo e na mente.
Por alguns momentos, tudo parece mais vivo.Mais intenso.Mais forte.Como se nada na vida comum pudesse competir com aquilo.
E é justamente aí que mora o engano.
Porque esse prazer, apesar de intenso, é isolado.Ele não se sustenta no tempo.Não constrói nada.Não é compartilhado de forma real.Ele acontece dentro, mas afasta tudo que está fora.
Aos poucos, o que era intensidade vira repetição.O que era prazer vira necessidade.E o que parecia vida começa a afastar a própria vida.
Existe algo que o dependente que ama viver começa a perceber:não existe nada mais visceral do que viver a vida de verdade.Sentir, construir, errar, rir, se conectar, pertencer.
A droga intensifica o momento.Mas a vida intensifica o sentido.
E sentido não se vive sozinho.
Por isso, em algum ponto, quem ainda deseja viver começa a procurar a recuperação.Não porque esqueceu o prazer da droga,mas porque reconheceu que aquilo não sustenta uma vida inteira.
CarpeDiem:Hoje, mais forte do que o prazer que isola é a vida que se constrói e que só faz sentido quando pode ser vivida junto com outros.
Por Luciano Ribeiro Terapeuta Sistêmico e Psicanalítico | Especialista em Dependência Química
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