CARPEDIEM, 20 de maio. O Cansaço de Fugir de Si Mesmo
- Luciano Ribeiro
- 20 de mai.
- 1 min de leitura
Existe um tipo de cansaço que não vem do trabalho, da rotina ou das responsabilidades.
Vem da tentativa constante de fugir de si mesmo.
Fugir do que sente.
Do que pensa.
Do vazio interno.
Das próprias dores.
Das perguntas que aparecem no silêncio.
Na dependência química isso se torna muito comum.
A droga muitas vezes não entra apenas como busca de prazer…
mas como tentativa de escapar da própria realidade emocional.
Por alguns momentos, parece funcionar.
A mente desacelera.
A dor diminui.
O vazio silencia.
Mas depois tudo volta.
E geralmente volta mais pesado.
Porque aquilo que é evitado não desaparece.
Continua existindo dentro da pessoa, mesmo quando ela tenta não olhar.
E chega um momento em que fugir começa a cansar mais do que enfrentar.
Cansa sustentar personagens.
Cansa anestesiar emoções.
Cansa viver desconectado de si mesmo.
Recuperação também é isso:
parar de correr de dentro de si.
Aprender a permanecer.
Escutar o que existe internamente sem precisar fugir imediatamente.
Porque talvez a liberdade não esteja em escapar de si mesmo…
mas em finalmente conseguir se encontrar de verdade.
CarpeDiem:
Hoje, talvez o seu maior cansaço não venha da vida, mas do esforço constante de tentar fugir de si mesmo.
Por Luciano Ribeiro Terapeuta Sistêmico e Psicanalítico | Especialista em Dependência Química
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