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Carpediem, 26 de setembro: Reconstruindo a Identidade


A dependência química é, antes de tudo, a desconstrução da personalidade. Valores se quebram, o caráter fica comprometido, limites são ultrapassados. Aos poucos, o “eu” se molda à necessidade do desejo: o que importa é aliviar agora, custe o que custar. A pessoa passa a viver em função da urgência, e a identidade perde nome, direção e chão.


Carpe diem, aqui, é encarar essas ruínas sem negar nem romantizar. É nomear perdas, reconhecer danos e interromper a lógica do “só mais uma vez”. Responsabilidade em vez de autoacusação, verdade no lugar da máscara. O primeiro tijolo da reconstrução é a honestidade: “é isso que aconteceu, e é aqui que recomeço”.


Recuperar-se é também reconstruir-se. Recolocar valores no lugar, restaurar limites, praticar reparos possíveis, escolher ambientes que sustentem quem você está se tornando. Um dia limpo, uma escolha íntegra, um pedido de ajuda — pequenos atos que, somados, reerguem uma vida. A identidade volta a ter contorno quando a vontade deixa de mandar sozinha.


Carpediem: Um dia de cada vez, o caráter ganha força, o desejo perde trono e a presença vira caminho. Reconstruir a identidade não é voltar a ser quem se era: é tornar-se quem sempre se poderia ser. Hoje é o dia de assinar de novo o próprio nome — com verdade, dignidade e paz.


Por Luciano Ribeiro — Terapeuta em Dependência Química | Estudante de Psicanálise


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