CARPEDIEM FAMÍLIA #2. Quando a Preocupação Vira Vigilância.
- Luciano Ribeiro
- há 8 horas
- 1 min de leitura
Tudo começa com uma preocupação legítima.
Você quer saber se ele está bem.
Se chegou em casa.
Se está falando a verdade.
Se conseguiu passar mais um dia sem usar.
No início, isso parece apenas cuidado.
Mas, sem perceber, a preocupação pode começar a ocupar espaço demais.
Você passa a observar o olhar.
O jeito de falar.
O horário que chegou.
O tempo que ficou no banheiro.
As mensagens que recebeu.
A mente entra em estado de investigação permanente.
Qualquer mudança gera suspeita.Qualquer silêncio gera ansiedade.Qualquer atraso gera medo.
E, aos poucos, a vida deixa de ser vivida.
Porque toda a energia emocional passa a ser usada para tentar descobrir o que está acontecendo com o outro.
A vigilância nasce de uma tentativa de proteção.
Mas existe uma armadilha:
Quanto mais você vigia, mais ansioso fica.
E quanto mais ansioso fica, mais sente necessidade de vigiar.
Forma-se um ciclo difícil de perceber.
A questão é que vigilância não é tratamento.
Controle não é recuperação.
Hoje, a reflexão é para você, familiar:
Você está acompanhando quem você ama...
ou está vivendo como investigador da vida dele?
Existe caminho.
Mas ele começa quando a preocupação deixa de ser vigilância e volta a ser cuidado.
Por Luciano Ribeiro Terapeuta Sistêmico e Psicanalítico | Especialista em Dependência Química
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