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CARPEDIEM FAMÍLIA #2. Quando a Preocupação Vira Vigilância.

CARPEDIEM FAMILIA #2

Tudo começa com uma preocupação legítima.

Você quer saber se ele está bem.

Se chegou em casa.

Se está falando a verdade.

Se conseguiu passar mais um dia sem usar.


No início, isso parece apenas cuidado.

Mas, sem perceber, a preocupação pode começar a ocupar espaço demais.

Você passa a observar o olhar.

O jeito de falar.

O horário que chegou.

O tempo que ficou no banheiro.

As mensagens que recebeu.


A mente entra em estado de investigação permanente.

Qualquer mudança gera suspeita.Qualquer silêncio gera ansiedade.Qualquer atraso gera medo.

E, aos poucos, a vida deixa de ser vivida.


Porque toda a energia emocional passa a ser usada para tentar descobrir o que está acontecendo com o outro.


A vigilância nasce de uma tentativa de proteção.

Mas existe uma armadilha:

Quanto mais você vigia, mais ansioso fica.

E quanto mais ansioso fica, mais sente necessidade de vigiar.

Forma-se um ciclo difícil de perceber.


A questão é que vigilância não é tratamento.

Controle não é recuperação.


Hoje, a reflexão é para você, familiar:


Você está acompanhando quem você ama...

ou está vivendo como investigador da vida dele?


Existe caminho.

Mas ele começa quando a preocupação deixa de ser vigilância e volta a ser cuidado.



Por Luciano Ribeiro Terapeuta Sistêmico e Psicanalítico | Especialista em Dependência Química


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