CARPEDIEM, 12 de fevereiro. Negação e Autoengano. Como o dependente se convence de que está no controle
- Luciano Ribeiro
- 12 de fev.
- 1 min de leitura
Na dependência química, a perda de controle raramente é admitida no começo.Antes de reconhecer o problema, surge a narrativa de que tudo está sob comando.“Eu paro quando quiser.”“Não é tão grave assim.”“Tem gente pior.”
A negação não é apenas mentira consciente.É um mecanismo de proteção.Admitir a falta de controle significaria encarar medo, vergonha e a possibilidade real de mudança.E isso, para quem ainda está preso ao uso, pode parecer mais ameaçador do que continuar como está.
O autoengano cria justificativas inteligentes.Transforma excesso em fase passageira, recaída em acidente, repetição em coincidência.Mantém a sensação de autonomia enquanto os prejuízos crescem silenciosamente.É uma forma de preservar a identidade sem precisar enfrentar a ruptura.
Reconhecer a negação não é humilhação.É o primeiro movimento de honestidade que abre espaço para escolha real.Enquanto a pessoa acredita que controla, não busca ajuda.Quando admite que perdeu o controle, começa a recuperar a própria vida.
CarpeDiem:Hoje, a verdade pode doer mais que a ilusão, mas só ela devolve o controle que o autoengano prometeu.
Por Luciano Ribeiro Terapeuta Sistêmico e Psicanalítico | Especialista em Dependência Química
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