CARPEDIEM, 26 de fevereiro. Quando Eu Sinto Saudade do Caos.
- Luciano Ribeiro
- 26 de fev.
- 1 min de leitura
Existe um momento na recuperação em que a vida começa a se estabilizar.Menos conflito.Menos urgência.Menos intensidade extrema.E, surpreendentemente, surge uma sensação estranha: saudade do caos.
Não é saudade apenas da droga.É saudade da intensidade.Da adrenalina, do risco, da sensação constante de estar no limite.Para quem viveu muito tempo em estado de desorganização, o caos se torna familiar.E o familiar, mesmo destrutivo, oferece uma falsa sensação de identidade.
Psiquicamente, o sujeito se acostuma ao funcionamento caótico.O excesso vira padrão.O conflito vira ritmo.Quando a estabilidade chega, o silêncio pode parecer vazio.E o vazio, mal interpretado, pode ser confundido com tédio.
A droga não era só substância.Era organização psíquica em torno da intensidade.Era forma de existir.Por isso, às vezes, a abstinência não elimina a atração pelo descontrole, ela apenas retira o instrumento.
Sentir saudade do caos não significa querer voltar a usar.Significa reconhecer que o sistema interno ainda está aprendendo a viver sem extremos.Recuperação também é reaprender a tolerar estabilidade.
CarpeDiem:Hoje, quando a calma parecer estranha, lembre-se: paz não é vazio, é um novo jeito de existir.
Por Luciano Ribeiro Terapeuta Sistêmico e Psicanalítico | Especialista em Dependência Química
Baixe o ebook gratuito : Compulsão, quando o sintoma sobrevive a abstinência.
Faça parte do meu grupo de WhatsApp gratuito.

Comentários