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CARPEDIEM, 29 de janeiro, (Isolamento)



O isolamento não começa de uma vez.Ele começa em pequenos recuos, pequenas omissões, pequenas escolhas de não estar.Aos poucos, a pessoa vai se retirando do campo do outro e se fechando no próprio mundo interno.Quando percebe, já está vivendo mais na própria mente do que na realidade compartilhada.


Na dependência química, o isolamento vira parte da organização psíquica.A droga pede segredo, distância e silêncio para continuar existindo.A vergonha, a culpa e o medo de ser atravessado pelo olhar do outro criam uma vida paralela, onde ninguém entra por completo.Mesmo cercado de gente, o dependente passa a habitar um lugar interno solitário, onde só a substância parece fazer companhia.


Na recuperação, o movimento começa a se inverter.A vida chama para fora do refúgio e de volta para o vínculo.Voltar a frequentar, a falar, a pedir ajuda e a sustentar presença diante do outro. No início, o contato incomoda, expõe, dá vontade de se fechar de novo, porque ser visto também é ser afetado.


Sair do isolamento não é virar alguém aberto de uma hora para outra.É permitir pequenas aberturas.Estar onde é possível estar, mesmo sem saber o que dizer.Cada encontro, cada escuta, cada presença real reorganiza algo por dentro.


CarpeDiem:O isolamento alimenta a doença. A presença alimenta a recuperação. Hoje, eu escolho não me esconder.


Por Luciano Ribeiro Terapeuta Sistêmico e Psicanalítico | Especialista em Dependência Química


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