CARPEDIEM, 05 de fevereiro. Quando a culpa te mata e o auto-perdão te transforma (uma partilha).
- Luciano Ribeiro
- 5 de fev.
- 1 min de leitura
Há relações que atravessam toda uma vida. Mesmo quando ela não foi como se desejava. Algumas pessoas acompanham processos inteiros de um familiar dependente químico, mesmo sem entender tudo, mesmo sofrendo, mesmo esperando.O vínculo permanece, ainda que marcado por falhas humanas.
Na dependência química, muitas barreiras afetivas se formam.Não por falta de amor, mas por incapacidade de sustentar proximidade e responsabilidade . A droga cria afastamentos que machucam dos dois lados. E, depois, fica a culpa, por não ter sido mais presente, mais disponível, mais inteiro.
A recuperação não envolve apenas parar de usar.Ela também exige olhar para essas histórias com mais honestidade e menos crueldade consigo mesmo.Entender que houve limites reais naquele tempo.Que, mesmo nos períodos mais difíceis, o amor existiu, ainda que não soubesse se expressar como deveria.
Quando alguém importante na vida do dependente quimico parte, a saudade vem acompanhada dessas revisões internas. Mas chega um momento em que a culpa precisa ceder lugar ao reconhecimento do que foi possível. O amor que existiu não se apaga pelos erros do caminho.E aprender a se perdoar também faz parte de seguir vivendo com essa ausência.
CarpeDiem: Hoje, não é mais culpa compulsiva, é saudade sustentada pelo auto-perdão. Houve falha, mas nunca falta de amor. Houve erro, mas nunca ausência de verdade. E tudo isso repousa NEle, onde meu pai, há sete anos, descansa como sempre descansou em fé a vida inteira.
Por Luciano Ribeiro Terapeuta Sistêmico e Psicanalítico | Especialista em Dependência Química
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