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CARPEDIEM, 06 de fevereiro. O Dia em que Nada Parece Ter Mudado, Mas Eu Mudei



Na dependência química, mudança sempre foi confundida com algo visível.Parar de usar, trocar de rotina, mostrar resultado, provar para alguém.Quando nada disso aparece, surge a sensação de estar parado, falhando, enganando a si mesmo.Como se só valesse o que pode ser visto de fora.


Mas na recuperação, muita coisa muda sem fazer barulho.É quando a vontade aparece e não vira ação.Quando o pensamento vem, mas não comanda.Quando o corpo sente, mas a pessoa permanece.


Essas mudanças não dão testemunho.Não rendem elogio, nem reconhecimento, nem validação externa.Acontecem no silêncio de uma escolha que ninguém percebe.E, ainda assim, são elas que sustentam todo o processo.


Há dias em que tudo parece igual, mas algo essencial já se reorganizou por dentro.Um limite foi aprendido, uma defesa caiu, uma repetição foi interrompida.O crescimento real nem sempre muda o cenário, muda a forma de estar nele.E isso, mesmo invisível, é o que impede o retorno ao ponto de antes.


CarpeDiem:Hoje, mesmo que ninguém veja, eu reconheço a mudança que aconteceu em mim porque é ela que mantém meu caminho quando o mundo parece igual.



Por Luciano Ribeiro Terapeuta Sistêmico e Psicanalítico | Especialista em Dependência Química


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