CARPEDIEM, 07 de fevereiro. O Tempo que a Dor Precisa para Virar História
- Luciano Ribeiro
- 7 de fev.
- 1 min de leitura
Nem toda dor vira aprendizado imediatamente.Algumas permanecem como ferida aberta, sensível ao toque, reativa a qualquer lembrança.Nesses momentos, não há reflexão profunda nem lição clara, há apenas sobrevivência emocional.E isso já é muito.
Na dependência química, muitas dores foram anestesiadas antes de serem compreendidas.O uso interrompeu processos que precisavam de tempo para serem sentidos e elaborados.Quando a recuperação começa, essas experiências retornam sem filtro.E o que parecia esquecido mostra que nunca deixou de existir.
Transformar dor em história não é romantizar o sofrimento.É permitir que aquilo que aconteceu encontre palavras, contexto e limite no passado.Deixar de ser algo que invade o presente e começar a ser algo que pode ser lembrado sem destruir.Isso não acontece por força, mas por tempo e cuidado.
Existe um momento em que a dor deixa de ser identidade e passa a ser memória.Ela não desaparece, mas perde o comando.E quando isso acontece, a pessoa deixa de viver reagindo ao que foi e começa a construir a partir do que é.
CarpeDiem:Hoje, respeito o tempo que a dor precisa para virar história, porque é assim que ela deixa de me ferir e começa a me ensinar.
Por Luciano Ribeiro Terapeuta Sistêmico e Psicanalítico | Especialista em Dependência Química
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