CARPEDIEM, 08 de Março - O Desejo Reprimido
- Luciano Ribeiro
- 8 de mar.
- 2 min de leitura
Todo ser humano tem desejos. Alguns são simples, outros mais profundos, ligados à forma como queremos viver, sentir e existir no mundo. Mas muitas pessoas aprendem desde cedo a esconder ou negar aquilo que sentem, seja por medo, culpa, moral rígida ou pressão social. O desejo então não desaparece, ele apenas fica reprimido, guardado em silêncio dentro da pessoa.
Na dependência química, a droga muitas vezes aparece como uma espécie de permissão. Sob seu efeito, as barreiras internas enfraquecem: a vergonha diminui, o medo cala, e aquilo que estava reprimido encontra uma saída. A substância passa a funcionar como uma chave que abre a porta do próprio desejo. Com o tempo, a pessoa não depende apenas do prazer químico, mas da função que a droga cumpre: permitir sentir, ousar, querer.
O conflito surge porque, fora da droga, tudo parece voltar a ser bloqueado. A pessoa sente que sem a substância não consegue acessar sua própria verdade, sua espontaneidade ou sua vontade de viver. Isso cria um ciclo doloroso: quanto mais a droga vira caminho para o desejo, mais distante a pessoa fica de si mesma. O que parecia liberdade se transforma em prisão.
Na recuperação, um passo profundo é reencontrar o próprio desejo sem precisar da droga como intermediária. Isso significa olhar para dentro, reconhecer aquilo que foi reprimido e aprender a assumir a própria vontade com responsabilidade. Aos poucos, o sujeito descobre que o desejo não precisa mais de fuga para existir, ele pode ser vivido de forma consciente, verdadeira e livre.
CARPEDIEM: Hoje tenha coragem de olhar para o que vive dentro de você e comece a assumir seu desejo sem precisar se esconder atrás de nenhuma substância.
Por Luciano Ribeiro Terapeuta Sistêmico e Psicanalítico | Especialista em Dependência Química
Baixe o ebook gratuito : Compulsão, quando o sintoma sobrevive a abstinência.
Faça parte do meu grupo de WhatsApp gratuito.

Comentários