CARPEDIEM, 20 de Fevereiro. A Droga Como Amante Fiel
- Luciano Ribeiro
- 20 de fev.
- 1 min de leitura
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A droga nunca faltava.Podia faltar dinheiro, confiança, vínculo, estabilidade.Mas ela estava ali.Disponível, previsível, pronta para cumprir o que prometia.
Para muitos dependentes, a relação com a substância não foi apenas química.Foi íntima.Era o refúgio certo depois de um conflito, a companhia garantida na solidão, a resposta automática para qualquer emoção difícil.Enquanto pessoas decepcionavam, a droga parecia constante.
Como uma amante fiel, ela não julgava.Não cobrava explicação.Não exigia maturidade emocional.Oferecia intensidade imediata e silêncio para a dor.
O problema é que essa fidelidade tinha preço.Aos poucos, outros vínculos foram enfraquecendo.A confiança foi sendo trocada por segredo.A vida foi se reorganizando ao redor dessa relação.
Na recuperação, romper com a droga é mais do que parar de usar.É encerrar um vínculo que ocupou lugar central.E toda ruptura desse tipo exige consciência, firmeza e tempo.
CarpeDiem:Hoje, reconhecer a droga como uma relação é entender por que a separação dói e por que ela é necessária.
Por Luciano Ribeiro Terapeuta Sistêmico e Psicanalítico | Especialista em Dependência Química
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