Carpdiem, 14 de setembro, Medo de olhar para dentro.
Nem sempre fugimos apenas da droga.
Às vezes, passamos muito tempo fugindo de nós mesmos.
De lembranças que ainda incomodam.
De sentimentos difíceis de nomear.
De escolhas das quais nos arrependemos.
E até de partes de nós que preferíamos não conhecer.
Por isso, olhar para dentro pode assustar.
Na recuperação, chega um momento em que não basta apenas evitar o uso. É preciso começar a compreender aquilo que tantas vezes tentamos silenciar através dele.
E esse encontro nem sempre é confortável.
Podemos encontrar culpa, medo, raiva, vergonha e feridas antigas.
Mas existe algo que muitas vezes esquecemos:
quando olhamos para dentro, não encontramos apenas nossas dores.
Também encontramos aquilo que sobreviveu a elas.
Nossa capacidade de aprender.
De mudar.
De reconstruir.
De fazer escolhas diferentes.
Autoconhecimento não significa gostar de tudo aquilo que encontramos em nós.
Significa conseguir olhar para a própria história sem precisar continuar fugindo dela.
Porque talvez uma das formas mais profundas de liberdade seja conseguir permanecer diante de si mesmo sem precisar se anestesiar.
CarpeDiem:
Hoje, tenha coragem de se aproximar um pouco mais de si. A recuperação não acontece apenas quando você se afasta da droga, mas também quando já não precisa fugir de quem você é.
Por Luciano Ribeiro Terapeuta em Dependência Química | Estudante de Psicanálise
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