CARPEDIEM FAMÍLIA #8. Quando Amar Começa a Machucar.
O amor foi feito para aproximar.
Para acolher.
Para fortalecer.
Mas, dentro de algumas famílias, chega um momento em que amar começa a machucar.
Não porque o amor desapareceu.
Mas porque ele passou a carregar pesos que nunca deveria carregar.
O amor se mistura com medo.
Medo da recaída.
Medo da ligação durante a madrugada.
Medo de uma notícia ruim.
Medo de dizer não.
Medo de perder.
Aos poucos, o familiar passa a viver em estado de tensão constante.
O que antes era cuidado se transforma em preocupação permanente.
O que antes era apoio se transforma em desgaste.
O que antes era amor começa a produzir sofrimento.
E então surge uma confusão muito comum:
A pessoa acredita que quanto mais sofre, mais está amando.
Mas sofrimento não é medida de amor.
Desgaste não é prova de cuidado.
Abandonar a própria vida para tentar salvar alguém também não é amor.
Amor saudável consegue cuidar sem desaparecer.
Consegue apoiar sem controlar.
Consegue permanecer presente sem carregar sozinho aquilo que pertence ao outro.
Quando amar começa a machucar, talvez não seja o amor que esteja errado.
Talvez seja a forma como ele está sendo vivido.
Hoje, a reflexão é para você, familiar:
Quanto do seu sofrimento nasce do amor...
e quanto nasce da tentativa de assumir responsabilidades que não são suas?
Existe caminho.
E ele começa quando o amor deixa de ser um lugar de sacrifício constante e volta a ser um lugar de cuidado, limite e verdade.
Por Luciano Ribeiro Terapeuta Sistêmico e Psicanalítico | Especialista em Dependência Química
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