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CARPEDIEM, 30 de janeiro. O Medo de Conviver com a Realidade da Minha História.


Existe um medo silencioso de olhar para a própria história.

Para muitos, não é o futuro que assusta, é o passado que pesa.

Lembranças, perdas, escolhas, feridas e ausências formam um cenário difícil de habitar.

Conviver com isso exige presença, e nem sempre a pessoa se sente pronta para ficar.

Na dependência química, a droga entra exatamente aí.


Ela oferece alívio rápido para o que dói por dentro.

Suspende a memória, adia a consciência, anestesia a realidade.

Em muitos momentos, ela não foi só vício, foi o único recurso de sobrevivência que a pessoa encontrou para continuar existindo.


Na recuperação, esse alívio some.

E o que estava adormecido volta: sentimentos, histórias, perguntas e responsabilidades.

A travessia começa quando a pessoa aprende a ficar onde antes só sabia fugir.

Não para se punir, mas para se compreender.

Não para se afogar no passado, mas para dar a ele um lugar que não governe mais o presente.


Conviver com a própria história não é gostar de tudo o que aconteceu.

É aceitar que ela faz parte de quem eu sou e não precisa mais decidir quem eu vou ser.

A recuperação começa quando eu paro de lutar contra o que vivi e começo a escolher como viver agora.


CarpeDiem:

Hoje, eu não preciso fugir da minha história. Posso permanecer no presente e construir algo diferente, um dia de cada vez.



Por Luciano Ribeiro Terapeuta Sistêmico e Psicanalítico | Especialista em Dependência Química


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