CARPEDIEM 21 de junho. Recaída Não É Fracasso.
Uma das ideias mais perigosas no processo de recuperação é acreditar que uma recaída apaga todo o caminho percorrido.
Muitas pessoas, após um episódio de uso, concluem rapidamente:
"Estraguei tudo."
"Voltei à estaca zero."
"Não tenho jeito."
Mas essas conclusões costumam nascer mais da dor, da culpa e da vergonha do que da realidade.
Uma recaída não surge do nada.
Ela geralmente é precedida por mudanças emocionais, comportamentais e relacionais que, muitas vezes, passaram despercebidas.
Por isso, em vez de enxergar a recaída apenas como uma derrota, ela também pode ser vista como uma oportunidade de compreender melhor a própria vulnerabilidade.
O que estava acontecendo antes do uso?
Quais emoções estavam presentes?
O que mudou na rotina?
Que pensamentos apareceram?
Que necessidades não estavam sendo cuidadas?
Responder a essas perguntas não significa justificar o uso.
Significa aprender com a experiência para fortalecer a recuperação.
A recaída traz consequências e precisa ser assumida com responsabilidade.
Mas responsabilidade é diferente de condenação.
Quando a culpa se transforma em desistência, a recaída tende a se prolongar.
Quando ela se transforma em aprendizado, pode se tornar um ponto importante de crescimento.
O processo de recuperação não é definido pela ausência absoluta de quedas.
Ele é definido pela capacidade de se levantar, compreender o que aconteceu e retomar o caminho.
CarpeDiem:
Se você já viveu uma recaída, procure olhar para ela além da culpa.
Pergunte a si mesmo:
"O que essa experiência pode me ensinar sobre mim e sobre a minha recuperação?"
"Uma recaída pode interromper uma caminhada, mas não precisa definir o destino de quem continua caminhando."
Por Luciano Ribeiro Terapeuta Sistêmico e Psicanalítico | Especialista em Dependência Química
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