Quem é a família quando o dependente sai de cena?
- Luciano Ribeiro
- 7 de jan.
- 2 min de leitura

Quando um dependente químico decide se tratar, algo importante acontece dentro da família: o foco sai, aos poucos, da droga e começa a recair sobre todos.Isso porque, ao longo do tempo, a família também adoeceu, mesmo sem perceber.
A convivência com a dependência provoca desgaste emocional intenso. A família vive em estado de alerta, medo constante, tentativas de controle, cobranças, resgates e frustrações repetidas. Com o tempo, aquilo que era cuidado vira vigilância, o amor vira exaustão e o apoio vira controle.
Muitas famílias chegam a um ponto em que já não conseguem mais exercer sua função de cuidadora. Não por falta de amor, mas por cansaço psíquico. Estão esgotadas, confusas, adoecidas emocionalmente e presas ao ciclo da dependência.
Quando o dependente vai se tratar, a família perde o papel que ocupava: o de vigiar, salvar, controlar e sustentar. E isso gera angústia, vazio e até culpa. É comum surgirem perguntas como:“E agora, qual é o meu lugar?”“Se eu não controlar, algo ruim vai acontecer?”“Será que posso relaxar?”
Esse momento revela algo importante: a família também precisa de cuidado.Precisa aprender a sair do controle e voltar para o vínculo.Precisa tratar a culpa, o medo, a ansiedade e a dependência emocional que se formou ao longo do tempo.
A recuperação saudável não acontece quando apenas o dependente muda. Ela acontece quando a família também se reorganiza, reaprende limites e recupera sua função de apoio sem se destruir no processo.
Cuidar de quem ama não é se perder.E tratar a família é parte fundamental do tratamento do dependente.
Por Luciano Ribeiro Terapeuta em Dependência Química, formação em Psicanálise
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