CARPEDIEM 27 de junho. O Que Suas Emoções Estão Tentando Dizer?
Muitas pessoas que enfrentam a dependência química aprenderam, ao longo da vida, a fugir das próprias emoções.
Ansiedade, tristeza, raiva, solidão, culpa, vergonha ou frustração tornam-se experiências tão difíceis que a substância passa a ser utilizada como uma forma de aliviar, anestesiar ou silenciar aquilo que se sente.
O problema é que emoções não desaparecem quando são evitadas.
Elas apenas deixam de ser ouvidas.
E, muitas vezes, aquilo que não é ouvido acaba sendo expresso através do sofrimento, dos comportamentos impulsivos ou do próprio uso da substância.
Na dependência química, a recaída raramente acontece apenas porque a pessoa desejou usar.
Frequentemente, ela é precedida por emoções que não foram reconhecidas ou cuidadas.
Uma tristeza que foi ignorada.
Uma solidão que não foi compartilhada.
Uma frustração que não encontrou espaço para ser expressa.
Uma ansiedade que se acumulou silenciosamente.
As emoções não são inimigas.
Elas funcionam como sinais, indicando que algo em nossa vida precisa de atenção.
A ansiedade pode estar apontando para medos e preocupações.
A tristeza pode estar falando sobre perdas, necessidades não atendidas ou cansaço.
A raiva pode estar sinalizando limites que precisam ser estabelecidos.
Aprender a reconhecer, nomear e expressar emoções de forma saudável é uma parte importante da recuperação.
Porque, muitas vezes, a pergunta não é apenas:
"Por que estou com vontade de usar?"
Mas também:
"O que estou sentindo que ainda não consegui reconhecer ou expressar?"
CarpeDiem:
Hoje, antes de tentar afastar ou silenciar uma emoção difícil, pergunte a si mesmo:
"O que essa emoção está tentando me mostrar sobre mim e sobre a minha vida neste momento?"
"Quando aprendemos a ouvir nossas emoções, diminuímos a necessidade de anestesiá-las."
Por Luciano Ribeiro Terapeuta Sistêmico e Psicanalítico | Especialista em Dependência Química
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